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Delação premiada ao Ministério Público compromete Muribeca

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Igor Corato vai solicitará acordo de delação ao Ministério Público após condenação por abuso de meios de comunicação e novas multas.

Por Adwalter Brunow

Foto: Divulgação

Igor Corato, 33 anos, ex-aliado do deputado estadual Pablo Muribeca e figura conhecida nos bastidores da política capixaba, buscará um acordo de delação premiada com o Ministério Público (PM). A decisão surge após sua condenação pela Justiça Eleitoral, da 53ª Zona Eleitoral da Serra, ao pagamento de R$ 270 mil reais, em multas por abuso nos meios de comunicação social, e propaganda eleitoral indevida via aplicativos de mensagem instantânea. Além disso, Corato recebeu duas novas multas de R$ 30 mil cada, elevando o valor total de suas penalidades. A informação, que circula nos bastidores, indica um rompimento da aliança entre Muribeca e Corato, que está se sentindo abandonado pelo deputado.

A reportagem tentou contato com Igor Corato, que não quis gravar entrevista. Ele afirmou que os nove processos que correm contra ele estão em segredo de justiça.

A sentença, proferida em outubro do ano passado pelo juiz Gustavo Grillo Ferreira e confirmada neste ano, detalha uma série de ações de Corato para atacar a honra e a imagem de Weverson Meireles (PDT), então candidato a prefeito da Serra. A representação foi movida pela coligação ‘Amor pela Serra’, que denunciou a veiculação sistemática de mensagens ofensivas via aplicativo (app) e redes sociais’. O material incluía montagens, insinuações religiosas e tentativas de intimidação pessoal’.

Uso indevido das redes sociais e a decisão Judicial.

De acordo com os autos, Igor Corato produziu e disseminou um vídeo de um minuto e nove segundos com montagens depreciativas de Weverson. O juiz Gustavo Grillo Ferreira enfatizou que o conteúdo tinha o único objetivo de ofender e distorcer a imagem pública de Meireles, configurando uma prática discriminatória e antidemocrática. “A liberdade de manifestação do pensamento não constitui direito absoluto”, frisou o magistrado em sua decisão.

Além das publicações, Corato enviou mensagens diretas a Weverson Meireles, incluindo uma foto com a legenda “Você lembra?”, interpretada como tentativa de intimidação. Em seus stories em rede social, ele afirmava estar ‘monitorando’ aliados e pessoas próximas à campanha de Weverson, o que foi considerado uma forma de ameaça. A sentença destacou que Corato já respondia a outras ações na Justiça Eleitoral por ataques similares, inclusive contra Audifax Barcelos, outro candidato a prefeito e adversário político do grupo que Corato apoiava.

Penalidades impostas por propaganda eleitoral indevida.

O juiz Gustavo Grillo fixou as seguintes penalidades para Igor Corato: – Multa de R$ 120 mil por compartilhamento irregular de propaganda negativa, -‘R$ 30 mil por infração, com quatro ocorrências.

– Multa de R$ 150 mil por descumprimento de ordens judiciais anteriores.

– Duas novas multas de R$ 30 mil cada aumentando o valor total das penalidades.

– Proibição de realizar novas postagens relacionadas ao candidato Weverson Meireles, sob pena de nova multa de R$ 50 mil por infração.

– Suspensão dos perfis de Igor Corato nas redes sociais.

– Encaminhamento do caso ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para apuração do crime de desobediência eleitoral, conforme o artigo 347 do Código Eleitoral.

O magistrado foi enfático ao afirmar que “a disseminação de mensagens que explorem preconceitos contra pessoas ou coletividades ataca diretamente os princípios da democracia”. Ele apontou que Corato ignorou reiteradamente as decisões judiciais, demonstrando “descaso e desrespeito” para com o Judiciário.

“Os Cafés Sabem”: a influência de Corato nos bastidores da política capixaba.

Apesar da pouca idade, Igor Corato possui uma trajetória política bem conhecida por lideranças de diversas siglas partidárias. Desde a adolescência, ele participa ativamente da construção de estratégias de campanhas eleitorais, muitas delas vitoriosas. Não à toa, Corato é frequentemente visto em “cafés” e conversas com políticos de expressão, um indicativo de seu trânsito livre e bom relacionamento com quase todos os deputados estaduais e federais capixabas.

Conhecido como uma figura polêmica e por não “peneirar palavras” ao publicar textos e vídeos nas redes sociais – o que lhe rendeu o apelido de “bomba ambulante” -, Corato recentemente postou um vídeo que alcançou 100 mil visualizações em 48 horas. Sua capacidade de gerar repercussão e seu conhecimento dos bastidores fazem com que sua potencial delação seja vista com expectativa.

Reflexos de uma aliança desfeita e possíveis impactos da delação.

A busca por um acordo de delação por parte de Corato reforça os rumores de um rompimento entre ele e Pablo Muribeca. Ambos não estariam mais em sintonia, e Corato, segundo pessoas próximas, se sente abandonado pelo então candidato derrotado a prefeito da Serra.

A eleição na Serra, embora encerrada nas urnas, segue movimentada no campo judicial. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por exemplo, já confirmou recentemente duas condenações contra Pablo Muribeca por disseminação de “fake News”, -‘notícias falsas’, com multas que somam R$ 85 mil. Uma análise anterior já alertava que os desdobramentos judiciais da eleição poderiam trazer “dores de cabeça” ao deputado, que já acumulava meio milhão de reais em decisões judiciais desfavoráveis. Agora, a situação delicada se estende aos seus atuai e ex aliados, culminando na iminente solicitação de delação por Igor Corato.

Fontes ligadas à investigação indicam que a possível delação de Igor Corato pode ter consequências significativas para o cenário político capixaba. Há especulações de que as revelações poderiam resultar no afastamento do deputado Pablo Muribeca do cargo, além de torná-lo inelegível. A delação poderia afetar o ex-deputado Erick Musso, em cujo gabinete Igor Corato já esteve nomeado.

Com seu vasto conhecimento dos bastidores e sua participação em diversas campanhas vitoriosas, o que Igor Corato poderá revelar em um possível acordo de delação premiada? E como isso pode redefinir o cenário político da Serra e do Espírito Santo?

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