
Queda da Selic reforça tendência no crédito imobiliário e destaca importância do timing na compra
A recente queda de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), a segunda consecutiva, ainda que moderada, reforça uma direção já percebida no crédito imobiliário. Desde dezembro de 2025, os bancos vêm reduzindo suas taxas, antecipando um cenário de juros mais baixos. Na prática, esse movimento já gerou impacto no mercado.
Segundo o diretor da Gava Crédito Imobiliário e da Ademi Secovi ES, Ricardo Gava, em muitos casos, compradores que fecharam negócio nos últimos meses conseguiram negociar melhores condições. “Isso ocorre porque juros mais altos funcionam como um filtro: menos pessoas conseguem crédito ou se sentem seguras para comprar, reduzindo a concorrência e abrindo espaço para negociação de preço”.
Além disso, quem comprou nesse período garantiu o valor do imóvel naquele momento e já passou a utilizá-lo, seja para moradia ou geração de renda com aluguel, evitando um custo recorrente que não contribui para a formação de patrimônio.
Para ele, outro ponto que começa a ganhar relevância é a portabilidade do crédito. Compradores que financiaram há um ou dois anos, em um cenário de taxas mais elevadas, já podem avaliar a troca de banco em busca de condições melhores, reduzindo o valor das parcelas. “Esse movimento permite ao cliente capturar uma economia financeira sem abrir mão do imóvel adquirido e da valorização já acumulada no período”.
De acordo com Ricardo Gava, o comportamento do mercado imobiliário exige uma visão de longo prazo. “O que constrói patrimônio no imóvel não é tentar acertar a taxa, mas sim o tempo. A valorização é construída ao longo dos anos, a partir de fatores como localização, desenvolvimento urbano, demanda e escassez”, afirma.
Com a tendência de queda da Selic, mais famílias tendem a acessar o crédito imobiliário, o que pode ampliar a demanda. Caso a oferta de imóveis não acompanhe esse movimento no mesmo ritmo, há potencial de pressão sobre os preços.
Nesse contexto, a decisão de compra não deve se limitar à busca pelo menor juro possível. “Se a parcela já cabe no orçamento e o imóvel atende às necessidades do comprador, o cenário pode ser favorável para a entrada. O preço do imóvel é definido no momento da compra, mas o financiamento pode ser ajustado ao longo do tempo”, destaca Gava.
A avaliação, segundo o especialista, deve considerar não apenas o cenário atual, mas também o custo de esperar. Em um mercado em movimento, adiar a decisão pode significar a necessidade de uma entrada maior no futuro ou a perda de oportunidades.
“O juro pode mudar. O preço de compra, depois de fechado, não. O maior risco não é a taxa. É o tempo”, conclui.
