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Colonialismo provocou genocídios e massacres pelos europeus na África

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As feridas causadas pelo colonialismo no continente africano são profundas e permanecem abertas, após séculos de violências, despojos e violações

Lembrar para não esquecer: genocídios e massacres cometidos na África pelo colonialismo europeu.

Por Flavia Villela,
da Sputnik Brasil
Foto: Francisco Seco, da AP Photo

Os mesmos países que criaram a noção de direitos humanos universais como a conhecemos na atualidade mataram, violaram, torturaram e traficaram milhões de seres humanos em solo africano no período colonial, além de roubar recursos naturais e bens que ajudaram a enriquecer a Europa ocidental.
De forma direta ou indireta, nações europeias foram responsáveis por genocídios históricos e chocantes como o Holocausto cometido pelos nazistas (1939-1945), apesar de pouco divulgados e lembrados pela imprensa.
Para lembrar a hipocrisia do Ocidente de seguir espoliando e destruindo países e vidas com a justificativa de salvá-los e lançar luz sobre histórias propositalmente ignoradas e silenciadas, a Sputnik Brasil listou alguns dos principais genocídios e massacres perpetrados pelas ex-metrópoles europeias no continente.
1 – Genocídio no Congo Belga – Reino da Bélgica (1885-1908)
Uma das maiores barbáries da história contemporânea, de acordo com vários historiadores, foi cometida sob a batuta do então Rei Leopoldo II, da Bélgica, entre 1885 e 1924, quando o Congo ainda era colônia belga.
As violações e crueldades cometidas nessa época foram relatadas em livros de escritores famosos como Mark Twain e Joseph Conrad. E a estimativa é de que pelo menos 10 milhões de pessoas foram mortas pelo sistema colonial nesse período, que explorou predatoriamente o marfim e o látex na região.
Torturas e mutilações de pés e mãos eram comuns para punir os escravizados que não alcançassem a meta de produção estipulada pelo rei da Bélgica. Somente no ano de 2021, a ex-colônia oficializou seu primeiro pedido de perdão.

2 – Genocídio dos Hererós e Namaquas (Namíbia) – Alemanha (1904-1908)
Considerado por historiadores o primeiro genocídio da história da humanidade, o massacre das tribos herero e namo, que habitavam a região da atual Namíbia, foi cometido por tropas alemãs. Localizado no sudoeste da África, às margens do Oceano Atlântico, o país foi colônia alemã, entre 1904 e 1915.
Em 2021, após mais de 100 anos, Berlim reconheceu ter cometido o genocídio de cerca 100 mil pessoas, incluindo mulheres, idosos, e crianças, segundo a Fundação Genocídio de Ovahero. O governo alemão ofereceu cerca de US$ 1 bilhão, -‘R$ 5 bilhões’ como reparação ao longo de 30 anos.

3 – Tráfico negreiro (século XV – século XIX)
Embora não haja estimativas precisas de quantas pessoas foram sequestradas de suas terras para serem vendidas para o trabalho escravo, estudos apontam que entre 1550 e 1850, cerca de 100 milhões de africanos teriam sido escravizados e somente 30% chegaram vivos a seu destino.

4 – Guerra Mau Mau (Quênia) – Reino Unido (1952-1960)
Em 2015, o governo britânico foi julgado pela morte de milhares de mortes no Quênia, sua então colônia de 1888 a 1963. O exército do Reino Unido foi condenado por ter torturado, matado, estuprado e roubado milhares de pessoas que lutavam pela independência do território, conhecidos como grupo Mau Mau, entre 1952 e 1960.
A historiadora ganhadora do Pulitzer Caroline Elkins estima em seu livro sobre o império britânico no Quênia que o número de mortes como resultado da resposta britânica ao levante pode chegar a 300 mil.
5 – Campanhas na Líbia – Itália (1923-1934)
A colonização italiana da Líbia foi marcada por várias atrocidades desde 1911 até o fim da Segunda Guerra Mundial, principalmente contra os beduínos e a resistência organizada pelos senussi, uma ordem religiosa islâmica.
O genocídio cometido pela Itália na Líbia é particularmente associado à repressão das revoltas líbias contra a ocupação. Sob o regime fascista de Benito Mussolini, a Itália intensificou suas ações na Líbia a partir de 1922. A repressão incluiu a deportação em massa de civis, o uso de campos de concentração no deserto, execuções sumárias, enforcamentos públicos, bombardeios de civis, e o uso de armas químicas.
Estima-se que entre 1928 e 1932, a repressão brutal tenha levado à morte de cerca de 80 mil líbios.
6 – Massacres na Guerra Colonial – Portugal (1961-1974)
Embora Portugal não tenha sido diretamente associado a genocídios reconhecidos nos moldes do que aconteceu com outras potências coloniais, houve campanhas militares e políticas brutais que levaram à morte de milhares de africanos, principalmente durante as guerras de independência nas décadas de 1960 e 1970.
Um desses episódios ficou conhecido como Massacre de Batepá, ocorrido em 3 de fevereiro de 1953, quando as forças coloniais portuguesas tentaram forçar a população nativa a trabalhar nas roças de cacau e café e nas obras públicas em São Tomé e Príncipe.
O número de vítimas é incerto, mas as fontes são-tomenses afirmam que houve mais de mil mortos por se rebelar contra Portugal. Em 2018, o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu o massacre por parte da ex-colônia.
Em Angola, o Massacre de Baixa de Cassanje em 1961 é frequentemente citado como o ponto de partida da guerra de independência. A repressão violenta às revoltas contra a opressão laboral nas plantações de algodão resultou na morte de milhares de angolanos. Estima-se que entre 10.000 e 20.000 civis tenham sido mortos pelos portugueses, embora os números exatos sejam difíceis de verificar devido à falta de documentação precisa.
Em Moçambique, a Frente de Libertação de Moçambique liderou uma luta armada contra o colonialismo português. As forças coloniais responderam com uma repressão pesada, que incluiu o uso de campos de concentração e bombardeios a civis. Os abusos sistemáticos de direitos humanos durante o conflito resultaram na morte de dezenas de milhares de moçambicanos.
7- Madagascar – França (1947-1948)
A Revolta de Madagascar contra o domínio colonial francês foi respondida com extrema violência pelo governo francês. O exército francês conduziu uma repressão brutal, usando execuções em massa, bombardeios aéreos e tortura. Estima-se que entre 30 mil e 90 mil malgaxes tenham sido mortos durante a repressão.
8 – Massacre de Thiaroye (Senegal) – França (1944)
O Massacre de Thiaroye ocorreu quando tropas coloniais senegalesas, que haviam servido na Segunda Guerra Mundial, exigiram seus salários e pensões atrasadas da França. A recusa do governo francês em pagar levou a um protesto, que foi brutalmente reprimido pelo exército francês. Estima-se que centenas de ex-soldados africanos tenham sido mortos pelos franceses.

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